sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

UNIDADE 4 - Aula 03

Mídia-Educação
Há um aspecto importante ressaltado por vários estudiosos da mídia na educação: a importância de que promovamos a produção das mídias na escola, não apenas a sua recepção. Vejam o que diz Graça Caldas no seu artigo “Mídia, escola e leitura crítica do mundo”:
Utilizar a mídia na escola é o primeiro passo para a leitura do mundo. Em contrapartida, é essencial que o exercício cotidiano no uso da mídia na sala de aula não se limite à leitura de jornais, revistas ou dos veículos eletrônicos. Para se ler o mundo a partir dos olhares dos outros, é fundamental que seus leitores aprendam antes a ler o mundo em que vivem por meio da construção de suas próprias narrativas. Só assim será possível a construção do conhecimento, a transformação do educando em sujeito de sua própria história. A aquisição do pensamento crítico é resultado da inserção e percepção direta do aluno como agente mobilizador na sua realidade. (CALDAS, 2001, p.129, grifo nosso).

Transformando a escola num local de produção de mídias
Já visitamos alguns repositórios de produtos multimídia e discutimos a importância do uso dessas diversas linguagens na educação, afirmando, em concordância com muitos pensadores da era digital, que “é preciso transformar a escola num local de produção de mídias”.
As ciências tradicionais comunicam-se através da linguagem escrita. Na nossa sociedade moderna, o domínio da linguagem, seja na sua forma escrita, seja na falada, é condição indispensável para o exercício da cidadania – basta lembrar que o indivíduo analfabeto não pode votar e nem ter carteira de motorista. Não é por acaso que, em nossas escolas, a alfabetização é o primeiro passo no processo de formação do aluno.
Os códigos criados pelas ciências matemáticas são, igualmente, parte importante do universo comunicativo das ciências tradicionais, sendo utilizados, além de pela própria matemática, pela física, química, biologia, etc. A falta de domínio pleno destes dois códigos, a linguagem e a matemática, colocam o indivíduo moderno à margem da nossa sociedade, principalmente dos processos políticos. Além desses dois códigos comunicativos, existe outro que, tão antigo quanto à linguagem, também comunica e informa: trata-se da imagem.
Podemos argumentar que a imagem não é propriamente um código, ou seja, que ela, de uma maneira ou de outra, fala por si. Nesse sentido, a imagem não operaria nenhum tipo de codificação da informação, pois sua comunicação se daria de maneira automática e inequívoca. Afinal, não basta “ver para crer” e “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Nesses ditos populares, temos clara a concepção de que a imagem basta-se a si mesma para comunicar. A imagem, no entanto, não fala por si mesma. Mesmo se desconsideramos todas as técnicas e convenções para a produção de imagem, seja em filme, seja em fotografia, são os códigos culturais que continuam operando a transformação de imagem em informação.
Nas últimas décadas, as novas tecnologias digitais têm desempenhado um papel determinante no modo como nossa sociedade tem intensivamente feito uso da imagem. Nas cidades, não há um espaço público, por menor que seja, que não esteja ocupado por imagens publicitárias. Podemos até dizer que está havendo uma “inundação” do espaço público urbano por imagens. Da mesma forma, no cinema, as artes visuais tornaram possível a criação de novos mundos, apenas através do computador. Em relação à fotografia, não é exagero dizer que todas as imagens midiáticas que estampam nossas revistas e sites recebem algum tipo de tratamento digital.
A imagem está, portanto, disseminada em todo nosso meio. Desse modo, a informação imagética que recebemos diariamente, através da televisão, da internet, revistas, outdoors, etc., é assimilada a partir de códigos que operam de forma velada, mesmo que desconhecida pela a maioria dos indivíduos. Nas escolas, temos como objetivo, além de ensinar aos alunos os conteúdos programáticos das disciplinas, capacitá-los para que possam, através de sua própria reflexão, avaliar as informações que lhes chegam e decidir sobre o que farão com elas.
 
Atividade
Assista ao vídeo abaixo e reflita sobre a questão abaixo, em seguida, escreva um texto e poste-o em seu blog.
Ao trabalhar com imagens em sala de aula, reflito com meus alunos sobre as informações que estão nas “entrelinhas” e que muitas vezes tem a função de manipulação?

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